Presidente da Petrobras destaca o potencial de negócios dos países africanos e a atuação da Companhia na região

Publicado em: 03/05/2012 21:01:21

 

“A África se constitui num excepcional mercado novo”. A afirmação da presidente da Petrobras, Maria das Graças Silva Foster, reafirma o interesse da Companhia na região. Durante o seminário “Investindo na África”, que contou com a participação do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, Graça destacou as similaridades geológicas entre os continentes e a relação de amizade entre Brasil e países africanos. De acordo com a presidente da Petrobras, “existe grande similaridade geológica entre as acumulações que temos no Brasil com as potenciais acumulações que se encontram hoje na África”.

Graça ressaltou que o continente tem obtido sucesso relevante em atividades na área de petróleo, como as importantes descobertas realizadas em Gana e Uganda.A Petrobras tem atividades em sete países africanos, com destaque para a atuação na Nigéria. Tem, ainda, um plano de investimentos em biocombustíveis em Moçambique. Atualmente, a Petrobras atua em exploração e produção offshore em Angola, Benin, Gabão, Líbia, Namíbia, Nigéria e Tanzânia. De acordo com o Plano de Negócios 2011-2015, serão investidos US$ 2,4 bilhões em projetos no continente neste período.

A presidente da Petrobras destacou as relações comerciais com a Nigéria, onde são produzidos atualmente 58 mil barris de óleo equivalente por dia (boed). “Nós fazemos importação de gás natural liquefeito (GNL) e temos tido uma relação excepcional com a Nigéria, que se mostra duradoura, com um futuro realmente próspero”, afirmou. Outro destaque é o investimento na produção de biocombustíveis em Moçambique. “A Petrobras Biocombustível, através das empresas Sena e da Guarani, subsidiária na qual temos participação, produz hoje 25% do açúcar daquele país”, disse Graça Foster. Ressaltou ainda a possibilidade de produção de etanol a partir no melaço, proveniente da produção do açúcar.

A presidente chamou atenção para a importância da definição de um marco regulatório para o setor, que é “essencial para que as companhias do segmento de energia possam continuar investindo na África”. Segundo a presidente, a Petrobras está disponível para colaborar. Outro tema abordado foi a capacitação de pessoal para as atividades do setor de petróleo e gás. Graça destacou que os investimentos em capacitação têm possibilitado à Petrobras continuar crescendo e descobrindo novas áreas no Brasil. Em alguns países africanos também existem questões relativas a conteúdo local. Nesse novo mercado, “capacitar pessoas é um desafio com vistas à prosperidade. E temos certeza que será possível superá-lo”, disse.

O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância do programa de desenvolvimento que os 54 países da África aprovaram recentemente, apostando no crescimento da produção, no trabalho e no crédito. "Os africanos elaboraram um programa inédito que tem como lema interligar, integrar e transformar o continente”, afirmou. Segundo Lula, "a União Africana mostra a seriedade daqueles que, diante da crise, não se desesperam. Ela propõe medidas para incentivar investimentos, aumentar o consumo interno e criar mais empregos. O momento é de ousadia, e não de passividade”. O ex-presidente destacou ainda que “a África tem tudo para conquistar sua autossuficiência energética, tem jazidas de petróleo e gás, pode tornar-se uma grande produtora de biocombustíveis e possui um espetacular potencial hídrico praticamente intocado".

O Decano do Corpo Diplomático da Embaixada do Zimbábue, Thomas Bvuma, destacou que “existem muitas oportunidades de investimento na África em setores como mineração, agricultura, energia, infraestrutura” e que “empresas brasileiras já estão operando nesses setores”. No entanto, apresentou alguns desafios para o desenvolvimento da região, entre eles a hesitação de empresas estrangeiras em investir na região, problemas de falta de capital e de transferência tecnológica.

O seminário "Investindo na África: oportunidades, desafios e instrumentos para cooperação econômica" aconteceu hoje, 3/5, no Rio de Janeiro, organizado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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