Gasoduto Urucu-Coari-Manaus inicia operação comercial

Publicado em: 26/11/2009 14:01:57

Com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, foi inaugurado hoje (27/11) o gasoduto Urucu-Coari-Manaus. A cerimônia foi realizada na Refinaria Isaac Sabbá (Reman), a primeira unidade a receber o gás natural oriundo de Urucu.

Segundo o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo, o gasoduto está totalmente pronto para funcionar, e a utilização crescerá dentro do que foi programado. “Todo gasoduto começa inicialmente com menos capacidade do que tem. Ela cresce ao longo do tempo na medida em que são adicionadas novas demandas. No caso particular da demanda térmica de Manaus, o processo de substituição dos motores tem uma certa sequência até setembro. Portanto, a utilização está absolutamente dentro das estimativas e o que seria normal num gasoduto deste tipo”, afirmou.

O presidente Lula mencionou as dificuldades técnicas da construção e destacou os benefícios ambientais do empreendimento. “Teremos uma pequena revolução na matriz energética na região Norte, sobretudo em Manaus”, frisou. Com a substituição do óleo combustível na geração de energia pelas sete usinas termelétricas que abastecem a região, será evitada a emissão de 1,2 milhão de toneladas de CO2 por ano.

O prazo contratual para que as termelétricas façam a adaptação para o uso do gás natural expira em setembro do ano que vem. Lula e Gabrielli destacaram a necessidade de responsabilidade na troca dos motores das usinas para evitar que o fornecimento de energia à população seja prejudicado.

“Estamos esperando que as termelétricas façam o processo de substituição dos motores. Isto não pode ser feito de vez, porque pode criar uma ameaça ao sistema elétrico de Manaus, e não podemos ter esse risco”, ponderou Gabrielli.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, mencionou a preocupação da Petrobras com os impactos da construção. Para ela, a obra é prova de que o desenvolvimento sustentável é possível. “Soubemos fazer o gasoduto com respeito integral ao meio ambiente”, disse.

Obra integrante do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o gasoduto tem 661 km de extensão na linha tronco, que liga Urucu a Manaus, e sete ramais para atendimento às cidades de Coari, Codajás, Anori, Anamã, Caapiranga, Manacapuru e Iranduba, com 140 km de extensão.

O gasoduto é um meio para uma mudança significativa na matriz energética do Estado ao permitir a substituição do óleo diesel e do óleo combustível pelo gás natural para geração de energia elétrica, principalmente.

A usina termelétrica Tambaqui (60 MW), na qual a Petrobras tem participação societária de 30%, será a primeira a utilizar gás natural para geração de energia elétrica em Manaus. A operação deve ocorrer já a partir do próximo dia 21 de dezembro desse ano. Desde agosto, um dos cinco motores da UTE, com 17 MW de capacidade instalada e consumo de 108 mil m³/dia, está sendo convertido para operar com gás natural.

Além de Tambaqui, as usinas Manauara (60 MW), Jaraqui (60 MW), Aparecida (152 MW), Mauá (268 MW), Cristiano Rocha (65 MW) e Ponta Negra (60 MW) irão utilizar o gás natural, substituindo o óleo diesel e o óleo combustível. Responsáveis pelo abastecimento da capital amazonense, juntas as usinas têm 725 MW de capacidade instalada. O uso do gás natural na geração de energia elétrica em Manaus permite evitar a emissão de cerca de 1,2 milhão de toneladas de CO2 por ano.

As termelétricas que atendem Manaus têm um consumo anual de 1,2 bilhão de litros de óleo combustível e óleo diesel, segundo relatório do Plano Anual de Combustíveis da Eletrobrás. Para se ter idéia deste montante, de acordo com a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis), o consumo somado de óleo diesel (740,4 milhões de litros/ano) e óleo combustível (911 milhões de litros/ano) no estado para todos os usos (térmico e não-térmico) foi de cerca de 1,6 bilhão de litros/ano, em 2008.

Para manter o fornecimento de energia elétrica em Manaus, a conversão das usinas para uso com gás natural está sendo feita de forma gradual e deve estar concluída até setembro de 2010. Como as usinas são formadas por um conjunto de motores, a conversão está sendo feita máquina por máquina – uma a uma - até que todo o parque de geração esteja apto a operar com gás natural.

O gasoduto tem capacidade inicial para transportar 4,1 milhões de m³/dia. Com a instalação de duas estações de compressão intermediárias entre Urucu e Coari alcançará 5,5 milhões de m³/dia, a capacidade total contratada, em setembro de 2010.
 
Dos 5,5 milhões de m³/dia de gás natural, o volume para atendimento ao mercado térmico é de 5,0 milhões m³/dia; e, para o não-térmico (industrial, comercial, residencial e veicular), 0,5 milhão m³/dia. A distribuição do gás natural para o consumidor final é responsabilidade da Cigás (Companhia Distribuidora do Amazonas), concessionária do estado.

A operação do gasoduto será feita pela Transpetro. Diante das condições singulares da Amazônia, uma equipe de operadores foi treinada durante dois anos para assumir o trabalho. Assim como os demais gasodutos sob a responsabilidade operacional da Transpetro, o Urucu-Coari-Manaus será operado de forma remota e automatizada por meio do Centro Nacional de Controle Operacional (CNCO), com sede no Rio de Janeiro.

Inovações tecnológicas

Além da importância energética e ambiental, o Urucu-Coari-Manaus também se destaca pelas soluções inéditas de engenharia adotadas durante a construção e que permitiram a conclusão da obra no menor prazo possível, com respeito ao meio ambiente.

O gasoduto cruza a floresta amazônica, região marcada pelo intenso regime de chuvas; pela grande variação do nível de cursos d’água (igarapés) e rios ao longo do ano, que pode chegar a 14 metros; e por condições de solo pouco propícias para o transporte de máquinas e acesso de trabalhadores aos canteiros de obras.  

Para vencer estas dificuldades específicas da região amazônica e não antes enfrentadas em obras de dutos, a Petrobras adotou, a partir de abril de 2008, soluções construtivas inéditas. Essas inovações foram implantadas, especialmente, no trecho de 196 km de extensão localizado entre as cidades de Coari e Anamã, considerado o mais difícil de todo o trajeto do gasoduto, por ter o maior percurso com áreas alagáveis.

Pela primeira vez, uma obra de gasodutos terrestres foi executada em parte sob os rios, utilizando metodologia similar a adotada para dutos marítimos. A solução permitiu a continuidade dos trabalhos no período de cheia, entre novembro e junho, em áreas de difícil acesso.

Em trechos alagados, balsas foram transformadas em canteiros de obra flutuantes, onde os dutos eram soldados e formavam colunas de mil metros de comprimento cada. Presas em bóias e tambores, as colunas eram transportadas por rebocadores até outras balsas, onde era feito o acoplamento com outra coluna de duto já posicionada. Em seguida, as amarras eram desfeitas, uma a uma, para o rebaixamento dos dutos nas faixas abertas em áreas alagadas. Pelo menos seis mil bóias e tambores foram utilizados.

Em 75 km de extensão do trecho entre Coari e Anamã, o transporte de dutos foi feito por helicópteros de carga, com capacidade para suportar 4,5 toneladas de peso cada um. Os dutos eram levados presos a cabos de aço de 80 metros de extensão até às áreas onde não havia acesso disponível por terra, rios e igarapés. A solução reduziu a supressão de vegetação da floresta para o transporte dos dutos até os canteiros de obras.

Para reduzir o tempo e a distância de deslocamento dos trabalhadores até o local das obras, foram instalados 22 acampamentos de selva, com capacidade para abrigar 160 pessoas cada um, seguindo os modelos adotados pelo Exército para sobrevivência na selva.

Além das inovações, a Petrobras também implantou medidas adicionais para preservação dos rios e igarapés da região. Nos 661 km de extensão da linha tronco do gasoduto, foram realizados 19 furos direcionais, obras especiais onde o gasoduto é enterrado abaixo do leito do rio. O mais longo e profundo foi o do Rio Solimões. Foram 1.841,72 metros de extensão, sob 102 metros de profundidade.

O gasoduto Urucu-Coari-Manaus foi a obra de dutos no país com maior percentual de uso de mão-de-obra local: 70%. Cerca de 8,9 mil trabalhadores atuaram diretamente na construção e outros 26,7 mil empregos indiretos foram gerados a partir da obra. Dos trabalhadores envolvidos no empreendimento, 8,7% eram mulheres (774). De todo o material utilizado na obra, 95% foi produzido no Brasil. Já em relação às máquinas e aos equipamentos, o percentual foi de 85%.

Trechos da obra:

Trecho A (Urucu-Coari, 279 km) – Possui, desde 1999, um gasoduto de 18 polegadas de diâmetro, que foi adaptado para transportar gás liquefeito de petróleo (GLP). Neste trecho, foi construído um novo duto de 10 polegadas para transportar GLP. Em seguida, o gasoduto existente, que até então transportava GLP, foi adaptado para transportar gás natural. O GLPduto começou a operar em fevereiro deste ano.

Trecho B1 (Coari-Anamã, 196 km) – Foi construído o gasoduto de 20 polegadas. Uma parte do trecho está em área alagável, de difícil acesso. Por isso, foram adotadas novas metodologias construtivas.

Trecho B2 (Anamã-Manaus, 186 km) – Continuação do trecho B1. Neste trecho há o maior número de comunidades, um total de 135, e 46km de rodovias no entorno da faixa do gasoduto. Em algumas áreas, equipamentos e dutos foram transportados por balsas.

Os números do gasoduto

Extensão: 661 km de linha tronco e 140 km de ramais para atendimento a oito cidades
Capacidade: 4,1 milhões de m³/dia, inicialmente, atingindo 5,5 milhões de m³/dia com a instalação de duas estações de compressão até outubro de 2010
Investimento: R$ 4,5 bilhões
Ramais de atendimento: Coari, Codajás, Anori, Anamã, Caapiranga, Manacapuru e Iranduba; além de dois ramais para as usinas de Aparecida e Mauá, em Manaus.
Início de construção: julho de 2006
Início da operação comercial: novembro de 2009

 Entrevista coletiva sobre cronograma de fornecimento de gás  

 

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