Comperj, o principal empreendimento individual da Petrobras
Publicado em: 12/09/2008 17:50:12Alinhada ao planejamento estratégico da Petrobras, que tem o propósito de ampliar a atuação em petroquímica no Brasil e na América do Sul, tiveram início no dia 31 de março de 2008 as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí. Considerado o principal empreendimento individual da história da Petrobras, com investimento da ordem de US$ 8,4 bilhões, o Comperj aumentará a capacidade nacional de refino de petróleo pesado com conseqüente redução da importação de derivados, como a nafta, e de produtos petroquímicos.
A fase de planejamento e do projeto conceitual contou com a parceria entre a Petrobras, o Grupo Ultra e o BNDES. Atualmente, já em fase de terraplanagem, todas as etapas estão sendo conduzidas pela Petrobras, até que seja estabelecida sua estrutura societária definitiva. A terraplanagem deverá ser concluída ainda este ano e gera mais de dois mil empregos diretos.
Com custo aproximado de R$ 820 milhões, as obras de terraplanagem devem movimentar 45 milhões de metros cúbicos de terra no Comperj, que equivalem a 12 Maracanãs repletos de terra, mobilizando mais de 600 equipamentos. O período das obras é de 440 dias corridos. O presidente Lula classificou o Comperj como “o maior investimento público-privado já feito” no Brasil.
O licenciamento ambiental do Comperj foi considerado inovador, por aliar extremo rigor ambiental e complexidade, sem apresentar aumento de prazo. Os estudos, acompanhados pela Feema, priorizaram o reúso da água e a diminuição de emissões atmosféricas e resíduos. A sociedade civil participou por meio das audiências públicas que reuniram 3,6 mil pessoas nos municípios de Itaboraí, Guapimirim, Cachoeiras de Macacu e São Gonçalo.
O Comperj marca a retomada da Companhia ao setor petroquímico e vai transformar o perfil socioeconômico de sua região de influência que abrange 15 municípios (Cachoeiras de Macacu, Casimiro de Abreu, Guapimirim, Itaboraí, São Gonçalo, Maricá, Magé, Niterói, Nova Friburgo, Rio Bonito, Rio de Janeiro, Saquarema, Silva Jardim, Tanguá e Teresópolis). Previsto para entrar em operação em 2012, com capacidade para processar 150 mil barris diários de petróleo pesado do campo de Marlim, na Bacia de Campos (RJ), o empreendimento vai gerar uma economia para o País de mais de US$ 2 bilhões/ano em divisas, por meio da redução da importação de derivados e de produtos petroquímicos.
Durante os cinco anos da obra, a expectativa é que o Comperj gere mais de 200 mil empregos diretos, indiretos por efeito-renda em âmbito nacional. Para atender a essa demanda, a Petrobras, em parceria com as prefeituras, vai capacitar cerca de 30 mil profissionais da região.
O município de Itaboraí foi selecionado para ser a sede da planta industrial do Comperj porque tem a infra-estrutura e logística adequadas, por sua proximidade dos Portos de Itaguaí (103 km) e Rio de Janeiro, dos terminais de Angra dos Reis (157 km), Ilhas d’Água e Redonda (30 km) e por ser atendido por rodovias e ferrovias, além das sinergias com a Refinaria Duque de Caxias (50 km), e com o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello – Cenpes (38 km).
Dados de mercado e números do Comperj:
- O complexo terá capacidade para processar 150 mil barris/dia de óleo pesado.
- Em uma mesma planta industrial haverá uma unidade de refino e de primeira geração (Unidade Petroquímica Básica - UPB) para produção de petroquímicos básicos, além de um conjunto de unidades de segunda geração (Unidades Petroquímicas Associadas - UPA’s), que vai transformar esses produtos básicos em produtos petroquímicos. Haverá ainda uma Central de Utilidades (UTIL), responsável pelo fornecimento de água, vapor e energia elétrica necessários para a operação de todo o complexo.
- Petroquímicos básicos (primeira geração): eteno (1,3 milhão de toneladas/ano), propeno (880 mil toneladas/ano), benzeno (600 mil toneladas/ano), paraxileno (700 mil toneladas/ano) e butadieno (157 mil toneladas/ano);
- Petroquímicos de segunda geração: estireno (500 mil toneladas/ano), etileno-glicol (600 mil toneladas/ano), polietilenos (800 mil toneladas/ano), polipropileno (850 mil toneladas/ano) e PTA/PET (500 mil/600 mil toneladas/ano).
As empresas de terceira geração, que poderão ser atraídas pelo complexo e se instalarem também nos municípios vizinhos e ao longo do Arco Rodoviário que ligará Itaboraí ao Porto de Itaguaí, serão responsáveis por transformar esses produtos petroquímicos de segunda geração em bens de consumo, tais como: copos e sacos plásticos, componentes para as indústrias montadoras de automóveis e eletrodomésticos da linha branca, entre outros.
Centro de Integração do Comperj capacitará cerca de 30 mil profissionais
- O Centro de Integração do Comperj está inserido no Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp) e tem como objetivo qualificar e capacitar a mão-de-obra local para atuar na implantação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro.
A Petrobras, em parceria com as prefeituras, vai implantar o projeto do Centro de Integração em todos os municípios que fazem parte do Conleste – Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento da Regilão Leste (Itaboraí, São Gonçalo, Cachoeiras de Macacu, Casimiro de Abreu, Guapimirim, Niterói, Maricá, Magé, Rio Bonito, Silva Jardim e Tanguá). O ingresso será feito por processo seletivo.
Cerca de 30 mil profissionais serão qualificados em mais de 60 tipos de cursos gratuitos, sendo 82% em nível básico, 17% em nível técnico e 1% em nível superior, divididos em cinco ciclos anuais.
O 1° Ciclo de Qualificação Profissional do Centro de Integração do Comperj teve início em maio de 2007, oferecendo cursos na área de Construção Civil. Atualmente, 1.200 alunos já foram qualificados e outros 800 estão em sala de aula.
Corredor Ecológico do Comperj - Lançado em 5 de junho de 2007, Dia Mundial do Meio Ambiente, o Corredor Ecológico é um projeto da Petrobras em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e outros parceiros, com a proposta de conectar o manguezal à Mata Atlântica, por meio de extensa área revegetada pelo Comperj. A empresa, por meio de uma ação de responsabilidade social e preocupada com os moradores que trabalhavam na área do terreno desapropriado, procurou capacitá-los, oferecendo treinamento nas atividades de viveirismo e artesanato, a fim de que pudessem buscar alguma colocação no mercado de trabalho. A iniciativa inclui a capacitação de cerca de 400 pessoas da comunidade em cursos semestrais de práticas de silvicultura, além de artesanato.
Além disso, já foram plantadas 2.500 mudas de cerca de 30 diferentes espécies arbóreas na Fazenda do Viveiro, em Sambaetiba, uma das primeiras propriedades negociadas pela Petrobras na área do projeto. Esse foi apenas o primeiro lote de um total de quatro milhões de mudas que farão parte do Corredor Ecológico.
Sistema de reúso da água inédito no Brasil - O Comperj contará com uma unidade para tratamento dos esgotos sanitários, efluentes industriais, águas pluviais e águas ácidas. Uma vez purificadas, essas águas serão novamente utilizadas inúmeras vezes dentro do próprio complexo, em vez de serem lançadas nos rios. O sistema de efluentes do Comperj é muito importante pela sua escala e eficiência. A reutilização só não será completa porque menos de 10% da água, embora não represente risco ao meio ambiente, acaba se tornando salgada.
Água para as obras e para a comunidade – Com o intuito de ampliar a produção de água tratada do sistema de abastecimento do município de Itaboraí, a Petrobras assinou no dia 14 de março de 2008 convênio com a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), com investimentos de R$ 30 milhões. Esse convênio ampliará o sistema Imunana-Laranjal e fornecerá mais 100 litros/segundo, sendo 50 litros/segundo às obras do Comperj e os outros 50 litros/segundo à comunidade de Porto das Caixas, distrito de Itaboraí, próximo ao complexo. Após o término das obras, a Petrobras destinará também os seus 50 litros/segundo ao atendimento à população. Dessa forma, todo o incremento de 100 litros/segundo beneficiará a comunidade.