Macunaíma está em cartaz desde o dia 03 de novembro

Publicado em: 06/11/2006 00:00:00

Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, foi um acontecimento na cena cultural brasileira. Lançado em 1969, em plena ditadura militar, foi considerado um marco político e estético do cinema nacional e o alicerce da reaproximação entre público e cinema brasileiros. Agora, 38 anos depois de sua polêmica e festejada apresentação, Macunaíma é devolvido ao público e à memória cultural do país completamente restaurado. A recuperação do longa-metragem, realizada com o patrocínio da Petrobras, é o primeiro resultado do projeto de restauração em tecnologia digital da obra completa do consagrado cineasta brasileiro.
 
As divertidas e emblemáticas histórias de Macunaíma, o 'herói sem caráter' que Joaquim Pedro de Andrade tomou emprestado da obra de Mário de Andrade e transformou num clássico do cinema nacional, que voltou às telas brasileiras em 3 de novembro. O longa estará em cartaz nos cinemas do Rio de Janeiro, Brasília e de São Paulo, com distribuição da Videofilmes e apoio institucional da Globo Filmes.
 
O projeto de restauração
 
A restauração da obra de Joaquim Pedro de Andrade partiu do esforço dos filhos do cineasta, Alice, Maria e Antônio, com a colaboração da Teleimage, responsável pela restauração digital, e da Cinemateca Brasileira, responsável pelo processo de preparação das matrizes e restauração fotoquímica. Os 14 filmes foram escaneados e restaurados digitalmente em 2K (cada imagem em 2K tem 2.048 pixels na horizontal e 1536 pixels na vertical, ou seja cada fotograma tem 3.145.728 pixels, o que equivale a 12 megabytes de memória digital) e reimpressos em novos negativos 35mm, em um trabalho que levou cerca de três anos e envolveu mais de 100 profissionais. 
 
O projeto de recuperação das imagens contou ainda com a colaboração dos fotógrafos Affonso Beato, Pedro de Moraes e Mário Carneiro, que trabalharam com Joaquim Pedro. Eles acompanharam a restauração dos filmes e, através de recursos técnicos que não dispunham anteriormente, recuperaram cores e texturas originais das imagens.
 
A restauração de toda a obra de Joaquim Pedro de Andrade - são, ao todo, seis longas e oito curtas-metragens, entre eles os clássicos cinemanovistas Garrincha, a Alegria do Povo (1963) e O Padre e a Moça (1965) - foi um verdadeiro trabalho arqueológico de busca de cópias e originais de todos os filmes de Joaquim Pedro em arquivos espalhados pela França, Bélgica, Cuba e Portugal, além do Brasil.
 
As matrizes digitalizadas estarão prontas para o formato DVD ou para gerar novas matrizes em película. Interferências na obra do cineasta para corrigir erros técnicos característicos da época de produção dos filmes foram evitadas. O sincronismo aproximativo característico da época foi mantido. Em todos os filmes o áudio continua sendo mono, apesar de terem sido filtrados, remixados e remasterizados em sistema Dolby, para garantir a qualidade de escuta nas salas de cinema.
 
A obra
 
O Cinema Novo, um movimento cultural que marcou a transformação do cinema nacional e promoveu uma revolução na linguagem cinematográfica vigente, nasceu em meados dos anos 50 da inquietação e da vontade de jovens cineastas brasileiros de fazer um cinema que retratasse verdadeiramente a cultura e a realidade social do país. Joaquim Pedro de Andrade foi um dos expoentes da geração de cineastas que
criou esse movimento. Foi em sua casa, entre 1957 e 1958, onde começaram as reuniões que deram origem ao Cinema Novo, que passou a projetar nas telas a utopia brasileira. Joaquim Pedro foi um dos pioneiros da renovação da linguagem cinematográfica brasileira, levando para o cinema o retrato do Brasil numa filmografia ousada, repleta de rigor e humor.
 
"O cinema que faço é a minha visão comentada e inventada a partir do real do mundo que a gente vive. E esta minha visão é quase sempre meio cruel e o humor é cáustico. É neste humor que acho graça. [...] Meus filmes tratam das relações entre pessoas e, freqüentemente, estas relações não são das mais agradáveis, sinceras e honestas do mundo. Faço filmes sobre a patifaria, a safadeza. Só sei fazer cinema no Brasil, só sei falar de Brasil, só me interessa o Brasil", disse Joaquim Pedro, em entrevista, pouco antes de morrer, em 1988.
 
Macunaíma integrou a homenagem que o Festival de Veneza fez a Joaquim Pedro de Andrade este ano, através de uma Retrospectiva Integral de seus filmes, em setembro passado, refazendo um percurso realizado em 1970, quando o filme foi apresentado na 30ª Mostra de Arte Cinematográfica de Veneza, e tornou-se o acontecimento do Festival. Na época, o entusiasmo da imprensa e do público foi tão intenso que uma nova projeção teve que ser organizada. Recentemente, após a restauração, o filme foi exibido nos festivais de Cannes, New York Film Festival, Fribourg, e no Karlovy Vary Film Festival.
 
Ainda este ano, em novembro, será lançado o DVD do filme. Os próximos longas-metragens de Joaquim Pedro de Andrade que serão relançados e irão para salas de cinema são Garrincha, alegria do povo, Guerra conjugal, Os inconfidentes, O padre e a moça e O homem do Pau Brasil.
 
Os curtas-metragens Couro de Gato, O poeta do Castelo, O mestre de Apipucos, O Aleijadinho, Vereda tropical, Brasília, contradições de uma cidade nova e A linguagem da persuasão também foram restaurados e entrarão como filmes extras nos DVDs dos longas. Até maio de 2007, quando Joaquim Pedro de Andrade faria 75 anos, todos os filmes do cineasta terão sido restaurados e será lançada uma caixa com a obra completa. Será também publicado um livro sobre o trabalho de restauração.
 
Sinopse
 
Macunaíma é um herói preguiçoso e sem qualquer caráter. Ele nasce na selva e, de preto, vira branco. Depois de adulto, deixa o sertão
em companhia dos irmãos. Macunaíma vive várias aventuras na cidade, conhecendo e amando guerrilheiras e prostitutas, enfrentando vilões milionários, policiais e personagens de todos os tipos.

"Que sorte estar vivo em novembro de 1969. Cada dia tem uma novidade. Tudo explode. Da explosão brota um filme como Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, que redescobre - ó surpresa geral - Mário de Andrade, uma das minas de diamante do Brasil, esquecida há mais de 20 anos. O filme é uma festa, uma graça, um rodopio, um churrasco, uma pancada na cuca, uma ocasião de rir e de expelir solitárias que comprometiam a paisagem intestinal. Rimos do herói sem nenhum caráter, ou de nós mesmos? Não interessa saber, interessa é ver o filme funcionando, e funcionar dentro e em frente dele, atores-espectadores levados na torrente mítico-satírico-manducativa de Mário e Joaquim Pedro, ambos heróis de muito caráter".
 
Fragmento do artigo O filme, as garotas, de Carlos Drummond de Andrade, publicado no Jornal do Brasil em 13/11/1969.
 
Ficha Técnica
Título Original: Macunaíma
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 108 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 1969
Estúdio: Grupo Filmes / Condor Filmes / Filmes do Serro
Distribuição: Embrafilme
Direção: Joaquim Pedro de Andrade
Roteiro: Joaquim Pedro de Andrade, baseado em livro de Mário de
Andrade
Produção: Joaquim Pedro de Andrade
Música: Jards Macalé, Orestes Barbosa, Silvio Caldas e Heitor
Villa-Lobos
Fotografia: Guido Cosulich e Affonso Beato
Desenho de Produção: Anísio Medeiros
Figurino: Anísio Medeiros
Edição: Eduardo Escorel
 
Elenco
Grande Otelo (Macunaíma)
Paulo José (Macunaíma)
Dina Sfat (Ci)
Milton Gonçalves (Jiguê)
Jardel Filho (Pietro Pietra)
Rodolfo Arena (Maanape)
Joana Fomm
Maria do Rosário
Hugo Carvana
Wilza Carla
Zezé Macedo
Maria Lúcia Dahl

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