Peixes Ornamentais são estudados na Amazônia

Publicado em: 30/05/2006 00:00:00

FOTO RAFAEL CASTANHEIRA

A Bacia Amazônica é a maior fornecedora mundial de peixes ornamentais. Encontrados principalmente em igapós e igarapés das planícies e florestas inundáveis da região, são responsáveis por uma atividade que movimenta anualmente cerca de U$ 3 milhões no Brasil. O País exporta cerca de 20 milhões de peixes ornamentais por ano. Mas para que a pesca seja realizada de forma sustentável, evitando seu esgotamento, é necessário realizar estudos sobre a biologia e a dinâmica das populações das espécies exploradas.
 
Para evitar a extinção comercial, o manejo sustentável de peixes ornamentais exige a conservação de seu habitat e o conhecimento integrado do ecossistema, da biodiversidade aquática e da questão socioeconômica da atividade. Estudos para descobrir as espécies com potencial ornamental nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, no Amazonas, estão sendo desenvolvidos, desde janeiro de 2005, pela equipe de pesquisadores do Instituto Mamirauá.
 
Com o patrocínio do Programa Petrobras Ambiental, o subcomponente "Peixes Ornamentais", do projeto Conservação das Matas Alagadas de Mamirauá e Amaná, visa analisar a possibilidade de explorar de forma sustentável este recurso e fornecer às comunidades ribeirinhas da região informações que lhes permitam realizar ações efetivas para a conservação e manejo dessas espécies.
 
"Este estudo é de fundamental importância para podermos construir um plano de manejo das espécies com potencial ornamental e garantirmos a manutenção dessas populações de peixes. A idéia é que, futuramente, os próprios ribeirinhos das reservas façam a exploração sustentável desse recurso na região", diz o biólogo Alexandre Hercos, coordenador do projeto.
 
Para a captura são utilizados instrumentos que não ameaçam os peixes, como o rapiché, redinhas, arrasto e armadilhas. Para a escolha das áreas de coleta são levados em conta o potencial das mesmas para a exploração e a viabilidade da atividade, que depende de acordo entre pesquisadores e moradores das comunidades próximas aos pontos de coleta.
 
O primeiro passo do trabalho é indicar as características dos pontos em que são encontradas as espécies ornamentais. Esses peixes, principalmente os acarás-disco, procuram as galhadas para se proteger de seus predadores e também locais de remanso com fundo de lama e folhas, onde a água é mais fria. As galhadas artificiais são montadas próximas à terra firme e ali permanecem por pelo menos quatro dias para que os peixes se acomodem. Em seguida, é usada uma rede de arrasto. Quando a coleta é feita nos igarapés, a equipe chega a caminhar por mais de duas horas pela mata, abrindo as trilhas até chegar aos locais de captura, onde começa o processo de montagem das armadilhas e uso das redinhas e rapichés.
 
São coletadas espécies de sardinha-borboleta (Carnegiella strigatta), peixe-lápis (Nanosthomus unifasciatus), copela (Copella sp), cardinal (Paracheirodon innesi), entre outras. O acará-disco (Symphysodon aequifasciatus), devido à grande demanda do mercado e seu alto valor comercial, é uma das espécies foco do estudo.
 
Depois de coletadas, as amostras são levadas para o laboratório do Instituto Mamirauá, em Tefé, para serem identificadas, medidas e pesadas. As espécies com potencial ornamental encontradas em abundância na região passam por uma série de estudos (alimentação, crescimento, reprodução e dinâmica de população), requisitos necessários para a formulação de um plano de manejo que tem atraído o interesse dos moradores das reservas por proporcionar trabalho e aumento na renda das famílias.
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