Petrobras . Agência Petrobras

Bacia de Campos, 30 anos depois

Publicado em: 24/04/2006 00:00:00

FOTO JOSÉ CALDAS

A Bacia de Campos está em festa. E não é para menos. Com o início da produção da P-50, a maior e a vedete das plataformas, ancorada no campo de Albacora Leste, a 120 quilômetros da costa, a região é a protagonista da auto-suficiência em petróleo no país, ou seja, em tese não será preciso mais gastar divisas com importações de óleo. Trata-se, inegavelmente, de um marco nos quase 30 anos de história da bacia, cuja produção começou em agosto de 1977 com o campo de Enchova, passados três anos da descoberta do primeiro campo na região, o de Garoupa (que só iniciou sua produção em 1979) e 53 anos depois da criação da Petrobras.

Quase três décadas separam os 7,2 mil barris de petróleo por dia produzidos na época, na Bacia de Campos, dos 1,5 milhão atuais, ou 80% da produção nacional, além de 23 milhões de metros cúbicos diários de gás. Se a plataforma P-50 tornou-se um ícone pelo que ela representa, as equipes da Petrobras em Macaé também comemoram o recorde de produção como resultado do trabalho empreendido ao longo dos anos na Bacia de Campos e em outras localidades do país.

Mesmo reconhecendo que a plataforma gigante é emblemática, o gerente geral da Unidade de Negócio da Bacia de Campos (UN-BC), Carlos Eugenio Melro Silva da Ressurreição, destaca os ganhos alcançados como também as perspectivas de aumento da produção por meio de novas descobertas e pelos esforços de revitalização dos campos antigos, chamados maduros, capazes de contribuir para a sustentação da auto-suficiência.

"A auto-suficiência atingida nos dias de hoje não é fruto apenas de uma unidade que está entrando em operação, mas resultado de uma história da Bacia de Campos e de outras bacias brasileiras, como as da Bahia, do Rio Grande do Norte e Ceará, de Sergipe e Alagoas, de Solimões e do Espírito Santo, desde a plataforma de Enchova, passando pela de Garoupa e indo até a de Namorado, Cherne, P25, P35, e assim por diante até chegarmos a P-50. Só na Bacia de Campos, foram 40 unidades de produção até chegar à P-50, com capacidade para produzir 180 mil barris de petróleo e seis milhões de metros cúbicos de gás natural por dia", resume o gerente.

Boas perspectivas

Carlos Eugenio acredita serem boas as perspectivas da Bacia de Campos, uma área de 100 mil quilômetros quadrados, de Vitória (ES) a Arraial do Cabo (RJ), com potencial produtivo muito grande, apontando para descobertas de novos campos. "Além de a produção estar crescendo, as reservas também aumentam, tendo passado de 7,8 bilhões de barris em 2000, para 10,8 bilhões atualmente, o que é fundamental para a sustentabilidade da auto-suficiência", afirma.

Entre os projetos recentes destacam-se - além do desenvolvimento do campo de Albacora Leste (P-50), com capacidade de produção de 180 mil barris por dia - o desenvolvimento dos campos de Barracuda e Caratinga (P-43 e P-48) com 360 mil barris por dia, que entraram em produção no ano passado; de Marlim Sul (P-51) e de Marlim Leste (P-53) ambas com capacidade de cerca de 150 mil barris por dia, que deverão iniciar produção em 2008; de Jubarte (P-34), com 60 mil barris por dia, que entrará em produção ainda este ano. O campo mais jovem, o Papa-Terra, descoberto no ano passado, é um dos maiores em termos de volume recuperável e tem início de produção previsto para 2011. A Petrobras é operadora do projeto, associada à empresa americana Chevron Overseas.

Mas não são apenas os novos projetos que garantirão uma produção de petróleo compatível com o consumo nacional. A Petrobras também vem dando ênfase ao trabalho de revitalização de campos maduros, responsáveis pela maior parte da produção da Bacia de Campos. "Com os campos antigos otimizados, os mais jovens produzindo em condições adequadas, além de nossas expectativas de novas descobertas, garantiremos a auto-suficiência do petróleo no país."

Para atingir as metas, a Exploração e Produção da Petrobras elevou sua programação anual de investimentos em produção no período de 2001/2006 de US$ 3,2 bilhões para cerca de US$ 8,5 bilhões. Os recursos destinados a campos antigos aumentaram de US$ 900 milhões em 2001 para US$ 1,2 bilhão em 2006, em função dos esforços na revitalização.

Revitalização de campos

Quando os campos maduros começaram a apresentar quedas acentuadas de produção (4% entre 2002 e 2003 e 7% em 2004) foi colocado em prática um sistema mais efetivo de recuperação, considerando os custos operacionais e com a aplicação de tecnologias não convencionais. Agora, o desafio é a produção desses campos passar de 850 mil barris por dia (46% da produção nacional de 1,8 milhão de barris) para 1 milhão de barris em 2010, quando a produção total da Petrobras atingirá os 2,3 milhões de barris, acima do consumo estimado em 2,06 milhões, de acordo com projeções feitas pela Petrobras.

O programa RECAGE - Revitalização de Campos com Alto Grau de Explotação, direcionado a aumentar a sobrevida dos campos antigos - e a experiência acumulada pela companhia com esse tipo de trabalho no Nordeste, onde a produção atual é de 250 mil barris diários, foram fundamentais para a reversão do declínio de produção dos campos maduros da Bacia de Campos. Entre os campos mais produtivos destaca-se Marlim, um dos maiores do país, descoberto há 15 anos, e que produz 450 mil barris de óleo por dia (metade da produção dos campos maduros). A importante contribuição desse campo, que chegou a produzir 600 mil barris diários, é um exemplo do resultado do trabalho de revitalização. Segundo Carlos Eugenio, caso haja uma nova descoberta, ele poderá voltar ao pico de 600 mil barris diários, e mesmo que isso não ocorra, a produção continuará em torno dos 450 mil barris por dia por longo tempo.

Outro campo com boas perspectivas é o gigante Roncador, ainda em desenvolvimento. A segunda fase de produção desse campo está prevista para 2007, com capacidade para processar 360 mil barris diários de óleo através das plataformas P-52 e P-54.

Novas tecnologias

A utilização da plataforma semi-submersível Sedco 135-D, em agosto de 1977, no campo de Enchova, que reduziu o tempo entre a descoberta de petróleo e o início da produção comercial, representou o primeiro marco tecnológico da Petrobras em direção a águas cada vez mais profundas, passando por novas técnicas para a recuperação de campos antigos. Entre as modernas tecnologias aplicadas atualmente, a Sísmica 4D (quatro dimensões) pode representar uma melhoria significativa da produção de campos maduros da Bacia de Campos, nas palavras do gerente da UN-BC. Sísmica 4D, poços multilaterais, melhoria de injeção de água nos reservatórios, separação de água no fundo do oceano e captação submarina de água para injeção fazem parte do arsenal tecnológico para a revitalização de campos maduros.

O uso de novas tecnologias e a otimização dos custos permite que o chamado fator de recuperação médio, que hoje se situa em torno de 30%, aumente, de forma que o volume de óleo a ser retirado chegue a 45% de recuperação. Mas este não é o limite, na opinião de Carlos Eugenio: "No futuro, esse fator poderá chegar a 60%" .

Um dos maiores desafios da companhia, é a exploração e produção de campos muitos profundos, entre dois e três mil metros de lâmina d'água. O desenvolvimento tecnológico, que passou pela instalação de sistemas flutuantes e de grandes plataformas fixas, foi respaldado pelo PROCAP - Programa de Capacitação Tecnológica para Águas Profundas, além de parcerias com universidades, institutos de pesquisa e empresas.

O PROCAP, lançado em 1986, foi criado para viabilizar a produção em campos de até mil metros de profundidade, como Marlim. Com a descoberta do campo gigante de Albacora, surgiu o PROCAP 2000, que englobou também os campos de Roncador e Barracuda, que se situam entre mil e dois metros de lâmina d'água. O mais novo, o PROCAP 3000, representa o atual desafio da companhia em sua busca de tecnologias de produção em campos com profundidades entre dois e três mil metros de lâmina d'água.

A Bacia em números 

Para operar essa gigantesca rede de produção e escoamento está montada uma complexa infra-estrutura de apoio técnico e operacional. As equipes se revezam em turnos de 12 horas, num período de 14 dias de trabalho nas plataformas. São 45 mil trabalhadores, dos quais nove mil próprios e 36 mil contratados.

A maior parte (82%) do óleo produzido é escoada por navios para os terminais da Petrobras ao longo da costa. Os outros 18% são escoados por dutos para o Terminal de Cabiúnas, em Macaé, e de lá para as refinarias. Todo o gás natural produzido na região é escoado por gasodutos também para Cabiúnas, de onde vai para os distribuidores de GLP em botijões e consumidores industriais e residenciais.

A importância da Bacia de Campos na movimentação da economia pode ser medida por alguns indicadores, como a contratação de R$ 11 bilhões em serviços por ano e de R$ 4 bilhões em bens. Toda a movimentação de cargas é feita pelo Porto de Imbetiba, em Macaé, que serve de apoio às plataformas nas idas e vindas de embarcações de suprimento offshore, levando e trazendo equipamentos, materiais, alimentos etc. A Petrobras conta também com instalações onshore, localizadas na entrada da cidade, destinadas à estocagem de grande quantidade de máquinas e equipamentos como compressores, bombas, tubos, equipamentos submarinos, etc.

A companhia mantém um heliporto no Farol de São Tomé, em Campos dos Goytacazes, que está sendo ampliado. Mas a maior parte da movimentação de pessoal para as plataformas se dá pelo Aeroporto de Macaé, o maior da América Latina em pousos e decolagens. São 42 helicópteros (mais um que serve de ambulância) transportando cerca de 50 mil pessoas por mês, o que o coloca na 12ª posição entre os aeroportos brasileiros em número de passageiros.

Mas o principal indicador dos benefícios gerados pelo petróleo na Bacia de Campos é o pagamento de participações governamentais: R$ 5,2 bilhões em royalties e R$ 7 bilhões em participações especiais, num total de R$ 12,2 bilhões em 2005, parte dos quais direcionados aos cofres de municípios fluminenses situados na área de produção.

 

×

Acesso ao Conteúdo

Exclusivo para jornalistas cadastrados.

×

Enviar notícia

Preencha o formulario abaixo para enviar a notícia:

× Crédito AGÊNCIA PETROBRAS

A Equipe Mitsubishi Petrobras, formada pelo piloto Guilherme Spinelli e pelo navegador Youssef Haddad, disputa a 21ª edição do Rally dos Sertões.

×

TESTE