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Produção de petróleo já atende a demanda brasileira

Publicado em: 21/04/2006 00:00:00

Com uma produção de petróleo igual à demanda por derivados, o Brasil torna-se auto-suficiente e depende menos do mercado internacional. Para explicar a importância e os principais projetos que garantiram a conquista da auto-suficiência e as ampliações e construções de novas unidades de refino, o diretor de Exploração e Produção, Guilherme Estrella, e o diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, falam ao Notícias Petrobras.

Entrevista com o diretor de Exploração e Produção, Guilherme Estrella

1. Como o senhor vê a conquista da auto-suficiência?

Sempre consideramos a conquista da auto-suficiência a grande missão da companhia. Para chegarmos a este ponto, começamos praticamente do zero, com um pequeno patrimônio material herdado do Conselho Nacional do Petróleo e de incipientes informações geológicas, obtidas graças ao trabalho de alguns pioneiros. Chegar a essa marca histórica, com a construção de uma estrutura tecnológica e financeira sólida e mundialmente reconhecida é uma demonstração irrefutável da capacidade de realização do nosso povo.

2. Essa conquista tem algum significado, além das vantagens econômicas para o País?

Esta conquista redobra a nossa responsabilidade e aumenta os desafios de nosso corpo técnico, a quem deve ser creditada mais essa vitória da Companhia. Isto porque, tão ou mais importante do que chegar a auto-suficiência é mantê-la para os próximos anos.

É um desafio, igualmente, para todo o setor petrolífero brasileiro, aí incluída a empresa nacional e, muito importante, o conhecimento técnico-científico brasileiro representado pelas nossas universidades, que muito contribuíram para atingir a auto-suficiência.

3. Como a Petrobras pretende tornar sustentável a auto-suficiência?

O esforço exploratório da Companhia nos últimos anos levou à descoberta de volumes de óleo e gás suficientes, não apenas para aumentar a produção, mas também para repor os volumes que foram produzidos e ainda aumentar as reservas. Com as descobertas já comprovadas e em avaliação, podemos garantir a sustentabilidade de nossa autonomia para os próximos dez anos. Para um horizonte mais à frente, dispomos de um portifólio de blocos exploratórios, nas diversas bacias sedimentares brasileiras, com excelentes perspectivas de novas descobertas. E continuaremos a adquirir novos blocos em todas as licitações que a ANP abrir.

4. Quais os desafios para manter essa conquista sustentável para os próximos anos?

O primeiro grande desafio é a implementação, até 2010, de mais de duas dezenas de grandes projetos de desenvolvimento para colocar em produção as reservas descobertas nos últimos anos. São plataformas de grande porte e alta tecnologia, uma vez que os maiores reservatórios estão em águas profundas e ultraprofundas, alguns em horizontes geológicos igualmente profundos. Outro desafio é continuar descobrindo novos campos para a manutenção da auto-suficiência por um prazo mais longo.

5. Além das bacias já produtoras a estratégia da Petrobras para a área de exploração prevê outras vertentes de atuação?

Além de continuar o esforço exploratório nas bacias já amplamente conhecidas, nosso programa prevê um grande esforço na busca de hidrocarbonetos em áreas de fronteira, ou pouco exploradoras, onde ainda não foram realizadas descobertas. Outra vertente é aumentar o fator de recuperação dos campos maduros, tanto em terra como no mar. Para cumprir esse programa estão reservados, para os próximos cinco anos, US$ 28 bilhões ou 54% dos investimentos totais da Petrobras para o período. Como estamos em fase de revisão do Plano Estratégico, este valor deverá aumentar.

6. Por que a companhia já anunciou volumes de produção superiores à demanda nacional mas não falou em auto-suficiência?

Durante o ano de 2005 chegamos a produzir, em algumas semanas, óleo em volume igual à demanda nacional, mas conceituamos que a auto-suficiência sustentável é aquela que considera a produção média anual superior ao consumo. É o que teremos em 2006, quando o volume médio chegará a 1.900.000 barris diários para uma demanda em torno dos 1.850.000 barris/dia.

7. Quais as previsões para um horizonte mais à frente?

Com os projetos a serem implantados até 2010 as curvas de produção e consumo estarão mais afastadas, aumentando o superávit. A previsão é de uma produção média de 2.300 mil barris/dia e de uma demanda de 2.060 mil em 2010, dos campos nacionais. Acrescentando a produção de gás natural do Brasil e os volumes de hidrocarbonetos produzidos pela companhia no exterior, em barris equivalentes, a produção total da Petrobras no final da década será de 3.405.000 barris por dia.

8. Uma das promessas de campanha do Presidente Lula foi a construção de plataformas no Brasil. A companhia está seguindo essa orientação?

Uma das primeiras decisões da atual diretoria foi incluir nos editais de licitações para construção de plataformas a obrigatoriedade de conteúdos nacionais mínimos. Hoje, para as plataformas que estão em construção ou serão contratadas, a participação média da indústria nacional é de 65%, enquanto anteriormente não chegava a 40%. Com isso, podemos afirmar, também com orgulho, que o aumento progressivo da produção será sustentado por projetos de plataformas com participação cada vez maior da indústria nacional, entre as quais se destaca a P-51, para o campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos, a primeira do tipo semi-submersível quase totalmente construída no Brasil.

9. Como o senhor vê a internacionalização crescente da Petrobras?

Presente em quase duas dezenas de países a Petrobras é, hoje, uma empresa empreendedora, por méritos próprios, e reconhecida internacionalmente por sua solidez financeira e excelência operacional, onde desponta a capacitação em exploração e produção em águas profundas e ultraprofundas, tecnologia que vem aplicando, também com sucesso, além de nossas fronteiras. Por mais que a Petrobras se globalize, e isso é altamente positivo para sobrevivência empresarial no setor petróleo, nosso maior ativo é o mercado brasileiro. Por isso, atendê-lo integralmente com produtos de qualidade crescente é nosso objetivo permanente. Além de auto-suficiente em petróleo, a Petrobras vai ser, ainda este ano, exportadora líquida, ou seja, as exportações de petróleo e derivados serão muito superiores às importações. 

Entrevista com o diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa 

1- O que significa o Brasil atingir a auto-suficiência em petróleo, em 2006, com uma produção média de 1,91 milhão de barris por dia?

No entendimento geral, atinge-se auto-suficiência quando se iguala a demanda ao consumo. Ou seja, se o Brasil produz 1,9 milhão de barris por dia e a demanda é de 1,9 milhão de barris por dia, significa que alcançou a auto-suficiência. No entanto, esta equação não é tão simples quando se trata de refino.Apesar de nossas refinarias terem capacidade de processamento superior ao volume de produtos consumidos internamente, não podem, por condições físicas e químicas, atender à demanda de todos os derivados. Isto significa que vamos continuar importando alguns produtos e exportando outros.

2 - Como se explica este desequilíbrio?

Se olharmos o passado, vamos constatar que tínhamos uma demanda muito maior de gasolina e óleo combustível, em relação, por exemplo, à de gás liquefeito de petróleo (GLP) e diesel. Nos últimos anos, a demanda de diesel e de GLP aumentou, enquanto a demanda de gasolina e de óleo combustível caiu. Ou seja, mudou-se o perfil do consumo, exigindo-se adaptações no perfil do parque de refino.

3 - Como a Petrobras se ajustou a todas estas mudanças?

A Petrobras já está num processo contínuo de adaptação das refinarias existentes, de modo a atender ao mercado. Por exemplo: foram implantadas unidades de conversão, de modo a reduzir a oferta de óleo combustível e a aumentar a oferta de diesel e de GLP. Estamos exportando uma parte substancial da gasolina produzida, pois no mercado que era de gasolina entraram o gás natural e, mais recentemente, muito fortemente, os carros flex fuel. O resultado é um saldo de gasolina que é exportada. O mercado é dinâmico, temos de adequar o nosso refino ao que o mercado precisa.

4 - A auto-suficiência vai, portanto, significar redução de gastos?

Vai, mas o País vai continuar importando, o que não tira, nem um pouco, o brilho da auto-suficiência.

5 - Como podemos exemplificar esta redução de gastos?

Em 1980, o consumo de petróleo no Brasil era de cerca de 1.056 mil barris por dia e a produção de 187 mil barris por dia, o que resultou num dispêndio de US$ 9,8 bilhões com importações de petróleo. Em 2004, o balanço das importações e exportações de petróleo e derivados foi negativo para o Brasil em US$ 3 bilhões. Já em 2005, se compararmos o que importamos ao que exportamos de petróleo e derivados, registramos um saldo negativo de US$ 130 milhões. Para 2006, esperamos um superávit de US$ 3 bilhões.

6 - Como explicar esta mudança tão grande?

Com o aumento da produção interna, passamos a exportar mais petróleo.Além disto, nossas refinarias passaram a processar mais petróleo brasileiro, o que também permitiu a redução da importação de derivados.

7 - Esta relação de auto-suficiência, com dependência de um tipo de petróleo e derivados, é comum em outros países?

De fato, muitos países também são auto-suficientes, mas importam alguma coisa para completar suas necessidades. O Irã, por exemplo, é exportador de petróleo, mas importa gasolina. Não é auto-suficiente na produção de gasolina, porque suas refinarias não produzem toda a gasolina necessária ao seu mercado interno. O meu conceito particular de auto-suficiência é o de ganho. Quando a balança comercial tem mais valor de exportação do que importação, isso é auto-suficiência.  

8- Qual a capacidade das refinarias da Petrobras hoje?

Somando-se todas as refinarias, a capacidade, a plena carga, é de 1,95 milhão de barris por dia. 

9- Qual será a capacidade de processamento em 2010?

Será de 2 milhões de barris por dia, dos quais 90% de petróleo nacional. Ou seja, o Brasil importará apenas 10% de suas necessidades de petróleo. Além disto, em 2011, a Refinaria de Pernambuco processará 200 mil barris por dia e a unidade de petroquímica de Itaboraí, mais 150 mil barris por dia. Teremos uma capacidade adicional de processamento de 350 mil barris por dia.

10- Qual será a média de exportação de petróleo em 2006 e em 2010?

Este ano,  deveremos exportar, em média, 290 mil barris de petróleo por dia, contra 260 mil barris em 2005. Em 2010, esperamos exportar 530 mil por dia de petróleo. De derivados, em 2005, foram exportados 240 mil barris por dia (gasolina, óleo combustível e bunker - combustível para navio). Já para 2006, estamos prevendo a exportação de 280 mil barris por dia de derivados.

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